sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Um comentário meu que vai dar um post aqui

Ainda sobre a senhora Jonet, (comentário que deixei no blog da Ovelha, Flor e Guerreira):
Eu percebi algumas coisas que ela disse. O que não posso concordar é que ela diga que temos que empobrecer. Não temos, porque isso sim é resignar e abdicar de direitos conquistados a pulso pelas gerações anteriores. E também porque está a generalizar. Porque está a pôr todos no mesmo saco e todos sabemos que não é assim. Que se há pessoas que como ela diz que pagam concertos e cortam na comida, também há pessoas que ficam sem emprego e que não têm dinheiro para comer uma refeição que seja, quanto mais "comer bifes uma vez por semana". E mais, se eu trabalho desde os 16 anos, se tudo o que tenho foi comprado com o dinheiro desse trabalho, se nada me foi dado de mão beijada, porque tenho eu que empobrecer? Ao contrário do que ela disse, nem todos vivem acima das suas possibilidades. Alguns como eu e tantos outros, viviam dentro das suas possibilidades e de repente vêem alguém retirar-lhes quase metade do que lhes permitia viver dentro dessas possibilidades. É justo esse empobrecer? E não venham com conversa do "tivessem poupado o dinheiro e agora já não estavam aflitos": por muitas poupanças que fizemos, essas poupanças acabam. E depois?


Foi infeliz, para mim foi muito infeliz naquilo que disse.

Agora acrescento:
Já escrevi neste blog a história dos meus pais. Os meus pais em miúdos passaram muitas privações. A minha mãe chegou a comer comida que a avó escolhia dos caixotes da praça. Eles trabalharam e lutaram toda a sua vida para poderem viver melhor e para poderem criar os filhos em condições condignas. À data em que o meu pai morreu, eles viviam satisfatoriamente e tinham uma vida estabilizada (volto a frizar, à custa do seu trabalho e da sua luta diária). De repente, a minha mãe viu o chão fugir-lhe debaixo dos pés, mais uma vez. Qual mulher guerreira, fez o possível e o impossível para voltar à tona (com o acrescento da dificuldade de ter tido um traumatismo craniano que lhe afectou em alguma parte a memória e ter ficado com a mão direita semi-paralizada) e nos poder pôr comida na mesa e roupa no corpo. Criou duas filhas e conseguiu voltar a erguer-se. Agora, aos 74 anos, está a voltar outra vez ao início.

O meu pai morreu quando faltavam 4 meses para eu fazer quinze anos. No ano seguinte comecei a trabalhar porque assim era preciso. Trabalhei e estudei à noite. Se tenho o que tenho hoje em dia, foi porque trabalhei para isso e não porque tive pais que me dessem tudo.

Agora volto a perguntar:
Porque tem a minha mãe de empobrecer (novamente)? Não fez já o suficiente para ter uma velhice descansada (e quando falo descansada, não tem a nada a ver com luxos)?
Porque tenho eu que empobrecer? Não tenho o direito de poder garantir que os meus filhoa não tenham que passar por aquilo que os meus pais passaram e que eu e a minha irmã em determinada fase da nossa vida passámos? E lá porque tenho intenções de lhes garantir uma vida estável isso quer necessariamente dizer que estou a criar pessoas irresponsáveis que não sabem dar valor ao dinheiro? A que propósito?

Esta é a minha história, mas muitos há como eu. Porque têm eles que empobrecer?

Chateia-me e muito ouvir dizer que porque os outros têm pouco ou nada, os que têm um pouco mais (e aqui não falo dos que têm muitíssimo, porque esses ninguém lhes toca), têm  que passar a ter pouco ou nada também. E que tal pensarmos ao contrário? Lutarmos pelo direito a que os que têm pouco passem a ter um pouco mais? Que tal ficarmos satisfeitos com os direitos que os outros conquistaram e lutarmos pelos mesmo direitos em vez de desejar que os outros passem a não ter direitos porque nós não os temos?

6 comentários:

  1. Como escrevi no blog da ovelha, flor e Guerreira, tambem nao concordo nada com o que ela disse.
    Pois acho que não me podem roubar o que eu consegui à conta do meu esforço e trabalho, nao tenho de pagar contas de privados e do estado que em nada reduz a sua despesa. Sinto-me roubada. E se sim, temos de poupar água e usar o copo, só por questões civicas e ambientais, se nao comemos bifes todos os dias, então que o possa substituir por peixe fresco, porque tenho o direito de manter a minha qualidade de vida, porque trabalho e não estou a roubar nada a ninguém.

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    1. Volto a repetir: foram palavras muito infelizes.

      Bom fim-de-semana

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  2. Também deixei um comentário e concordo com as tuas palavras!

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    1. Acho que todas as generalzação são más. E ela entrou en generalizações num assunto que tem muito de diferente de pessoas para pessoas.

      Bom fim-de-semana :)

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  3. Haja diversidade de opiniões...eu também me sinto roubada, também sinto que o meu esforço não é valorizado! Mas sinto, sobretudo, porque trabalho num sítio onde vai cair o que há de pior neste país, que há mesmo muita gente que vive acima das suas possibilidades...Não significa que sejamos todos...só que, por causa de muitas benesses, quem se esforçou e esforça está a ser prejudicado!

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    1. Claro que é bom haver discussão de opiniões, é delas que muitas vezes surgem as boas decisões ;)

      Para mim o problema naquilo que ela disse, foi ter generalizado nos exemplos que deu (e que não foram mesmo os mais felizes) e o facto que dizer que temos que nos resignar a empobrecer. Eu não me resigno, porque acho que me esforcei e continuo a esforçar demais para que isso não aconteça(assim como tu e tantos como nós).

      Beijinho e bom-fim-de-semana

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